quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Crônica na sala de aula

Ela
            Seus olhinhos pequenos querem me dizer mais do que posso ver, querem se comunicar comigo no lugar de sua voz ainda embaçada, que ainda não conseguem dizer tudo. Seu sorriso banguela, o mais bonito do mundo – meu Deus, como pode um sorriso sem dentes ser tão cativante? Na sua pequenez posso afogar meus problemas e voltar novamente ser o que fui um dia.
            Mas não ouse recusar um pedido seu; ela irá espernear, gritar como gente grande e lhe vencerá pelo cansaço. Penso em lhe dar umas palmadinhas. Então, por um segundo, sinto-me o mais covarde e malvado do mundo. Ela ainda não tem “tamanho de gente”, mas se acha – e é -  a dona do pedaço, anda pra lá e pra cá com a autoridade da sua inocência; vai a lugares onde não deveria, pega onde não deve e até parece saber que o proibido é mais excitante.
            Causa confusão e ciúmes, até intrigas, mas não há quem ouse lhe botar a culpa. Perdoa e é perdoada com a agilidade da batida de seus olhos pidões.
            No final do dia, quando você chega em sua casa e ela vem correndo em sua direção... suas perninhas pequenas, pergunto-me se elas darão conta do recado. E numa respiração, minha  pergunta está respondida. Tropeça nos seus próprios passos. Sua pequena simetria vai ao chão com um impacto que parece ser o maior do mundo. Meu olhar corre em sua direção, o coração bate mais rápido e antes que possa perceber já estou ao seu lado. Alguma raladura? Doeu? Pode ter quebrado...
            Marota, ela me olha e sorri, é uma gargalhada estridente daquelas que enchem seu coração de paz. Em silêncio você faz uma prece: “não deixe que ela cresça, não deixe”...
Aluno: Anderson Alencar – 3º B

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